domingo, 12 de janeiro de 2014

Ninf()maníaca - Volume 1

Ninfomaníaca é brilhante. Porém, não é um filme, mas sim, uma introdução a um filme que só veremos na segunda parte, que pelo visto nos créditos finais, será muito mais pesada e agressiva do que a primeira. Tudo isso graças aos produtores que não só cortaram o filme para quarto horas, mas como também, fizeram o favor de dividirem o filme em duas partes, entregando uma primeira parte que não faz sentido ser dividida, causando uma certa raiva no espectador. Faria muito mais sentido dividir o filme em oito partes e entregar uma mini série de televisão do que dividir o filme em duas. Afinal, Ninfomaníaca já é dividido em oito capítulos, tornando o filme dinâmico, fazendo com que as duas primeiras horas passem rapidamente. Se O Senhor dos Anéis pode ter três horas e meia, porque Ninfomaníaca não pode ter quarto?


Assim, ficamos com a primeira parte, que como eu disse anteriormente, pode ser vista como uma introdução do que está por vir. Aqui, somos introduzidos aos personagens e as primeiras relações de Joe, personagem principal interpretada por Charlotte Gainsbourg no presente, e Stacy Martin no passado. O filme é dividido na narração de Joe, que se recupera na casa de um estranho chamado Seligman (Stellan Skarsgård), que a achou na rua machucada e a conversa entre os dois. Enquanto Joe narra sua história de vida, ela e Seligman filosofam sobre sua história, que apesar de ser interessantes em alguns sentidos, as vezes parece que Von Trier quer dar um lado mais artístico para sua obra “pornográfica”, que apesar de funcionar em algumas cenas, não parece funcionar muito em outras.

Joe começa sua história com “eu primeiro descobri minha boceta aos 2 anos” até aproximadamente um pouco depois dos 20. Aqui, nada muito chocante e pesado acontece, além de algumas cenas de sexo explicito com alguns atores. Mas afinal, pornografia não é o que Lars Von Trier pretende entregar com esse filme. Ninfomaníaca é uma jornada de física e espiritual, e Lars nos lembra disso todo o momento nos entregando frases e desenhos sobre as cenas, imagens congeladas, rebobinamentos de planos e até mesmo videos históricos sobre a guerra mundial ou videos do Discovery Channel para complementar a história de Joe, e a filosofia que os dois tiram de sua narração.


Há também um certo tema nesta primeira parte do filme, e este tema é o amor. Apesar do poster nos dizer para esquecermos sobre o amor, a primeira parte do filme não é só Joe se descobrindo como uma ninfomaníaca, mas como também, tentando encontrar uma certa “ordem no meio do caos”, onde segundo sua amiga B, sexo só pode ser totalmente entendido com o amor. Esta é praticamente a única linha de narração que tem começo, meio e fim dentro da primeira parte de Ninfomaníaca. Com o passar do filme, vemos como tudo está um tanto ligado com a relação de Jerôme, um menino que tirou sua virgindade e que acabou a encontrando quando eram mais velhos. Esta narração possui um certo desfecho no final da primeira parte, nos deixando com um certo gancho para o próximo filme. O que faz sentido numa divisão de filmes, mas como Ninfomaníaca é muito mais do que isso, deixa a desejar. Especialmente quando temos imagens sendo apresentadas do segundo volume nos créditos finais.

Sobre a produção, não preciso falar muito. Von Trier nos entrega mais uma vez um filme com câmera na mão, sem cenas de slow motion demoradíssimas como aconteceu em Anticristo e Melancolia. A dinâmica é suave, onde presente, passado e inserção de pensamentos acontecem toda hora, tornando um filme onde sempre algo está acontecendo na tela. Sem contar o ótimo humor que Von Trier coloca tanto na tela como no roteiro, que não chega a ser uma comédia, mas dá uma quebrada de seriedade, que chega a ser necessária para a história que ele está contando.


Resumindo, Ninfomaníaca é um grande filme, porem, incompleto – por enquanto. Quando a segunda parte ser lançada, poderemos ter uma resenha mais completa e complexa. Mas apenas com as duas primeiras horas, já podemos ter uma grande noção do que este filme se trata. E o mais excitante, é que não podemos fazer idéia do que vai acontecer e como ele terminará! Que venha logo a segunda parte!

Um comentário:

Anônimo disse...

Amoooooooooooooooooo.. muito teu site