sábado, 19 de novembro de 2011

Crítica - A Outra Terra

Comparar A Outra Terra com Melancolia é simplesmente inevitável graças ao fato de que ambos filmes se tratam sobre a aproximação de um planeta sobre a Terra. A única diferença que faz A Outra Terra ser muito mais interessante, é que ao invés de trazer um planeta para destruir o nosso, o novo filme de Mike Cahill trás uma outra versão da nossa Terra, levantando questões se há uma outra versão de nós, se esta versão de nós é igual ou melhor que nós, e o mais importante, somos apenas um reflexo de nós mesmos? Veja o que o Arte à Sétima tem a dizer sobre A Outra Terra


Assim como Melancolia, A Outra Terra mostra esse evento a partir da persectiva de uma mulher, Rhoda. Esta, bem no começo do filme, provoca um acidente de carro ao se distrair com a segunda Terra que aparece no céu, matando a mulher e um filho de um músico. Quatro anos após ficar presa, esta sai da cadeia e vai para um mundo onde todos estão se questionando o que é esta segunda terra, ou Terra Dois, como chamam no filme; e quem habita ela. A pergunta para estas respostas só seram respondidas quando alguém ir para esta segunda Terra, que faz parte de uma promoção onde quem ganhar, embarcará junto com a tripulação que visitará a Terra Dois.

Se sentindo culpada e com a vida arruinada por ter matado duas pessoas, Rhoda se sente deslocada em seu mundo e começa a ver a segunda Terra como uma escapatória para começar tudo de novo. Ou simplesmente querer saber se há alguém igual ou melhor que ela nesta segunda Terra. Porém, estas duvidas começam a entrar em conflito quando descobre que um dos homens que sofreu o acidente de carro está vivo e acabou de sair de um coma. Interessada, Rhoda começa a segui-lo, e após um episódio onde ela tenta contar quem ela é, ela acaba mentindo ser uma empregada que prestas serviços de casa gratuito. Estranhamente, Rhoda começa a ir uma vez por semana na casa deste homem, onde ela passa a conhecê-lo melhor e ter uma relação com ele.



Apesar do filme ser sobre a relação entre Rhoda e o homem que sofreu o acidente provocado por ela - ele porém, não sabe disso; são os elementos ao redor desta história, que apesar de não serem extremamente bem desenvolvidos, fazem A Outra Terra ser um filme bastante interessante. Como a possibilidade de ir para a segunda Terra que é comparada com a teoria da caverna de Platão numa das frases do filme; ou o homem que trabalha na escola com Rhoda, que se cega e se torna surdo por não aguentar ver ele mesmo em todos os lugares; e principalmente uma das teorias que é jogada no fim do filme que no primeiro instante que as pessoas avistaram a segunda Terra, foi o momento em que a sincronia dos eventos se perderam, e quem sabem, estejam na segunda Terra.

São essas e outras discussões que fazem A Outra Terra ser um filme extremamente interessante. Ainda que joguem todas estas teorias, o roteiro brinca com todas as possibilidades, mas nunca explora nenhumda delas a fundo, para fazer com que todo aquele evento seja um mistério mágico e ao mesmo tempo apavorante - sensação que quase todos os personagens do filme vivem. Além disso, a relação entre Rhoda e o homem que foi acidentado por ela, apesar de não ser uma história intrigante, tem seu rítimo peculiar e se desenvolve com competência.



E assim como Melancolia, Mike Cahill trás um filme bastante simples, porém, muito lindo ao mesmo tempo. Mais simples ainda que Von Trier, A Outra Terra parece ser filmado com uma 5D e uma fotografia bastante simples, que faz parecer com que tudo aquilo seja um evento extremamente real. O único efeito especial usado é a aparição da segunda Tera no céu, que por ser a própria Terra, se demonstra muito mais linda do que o planeta Melancolia.

No fim, A Outra Terra é um filme à lá Melancolia que consegue se superar por possuir uma história que levanta questões filosóficas sobre a vida ao invés de simplesmente narrar uma história de depressão - elemento que também está em A Outra Terra. Ainda que os dois filmes sejam muito diferentes, A Outra Terra se supera por ser um tanto mais inteligente. Os últimos segundos do filme, então, são simplesmente extraordinários, que dão uma reviravolta na história de uma maneira altamente significante, pedindo desesperadamente para uma continuação. Não que seja necessária, mas seria muito, mais muito interessante.

3 comentários:

JRenan disse...

Sobre o final concordo com vc, Rhoda se encontra com ela mesmo, mas a outra está bem vestida - o que pode nos dar uma ideia do que aconteceu de Rhoda na Terra 2; realmente seria muito interessante se tivéssemos uma continuação mesmo que breve do filme.

Anônimo disse...

QUANDO O FILME COMEÇA A FICAR INTERESSANTE AÍ TERMINA!NINGUÉM MERECE... ALIÁS, MERECE CONTINUAÇÃO SIM!!!!!!

Anônimo disse...

CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU COM TODOS OS COMENTÁRIOS.É UM BOM FILME!DÁ A ENTENDER QUE AO CHEGAR NA 'SEGUNDA TERRA' JOHN PROCUROU A OUTRA RHODA E AÍ ELA RESOLVEU PROCURAR A SUA CÓPIA.