O bullying com a saga Crepúsculo se tornou algo tão majoritário que até os próprios fãns tem vergonha de admitir que gostam da série. Apesar de eu achar uma saga fraca e cheia de babaquisses, eu procuro avaliar os filmes de uma maneira séria. Grande parte dessa atitude vem pelo fato de eu ter lido os dois primeiros livros, que apesar de eu ter achado que o primeiro volume é o único consideravelmente prestável, é de se achar pontos engraçados e positivos nos filmes. Ainda que não tenha justificação o quarto volume da série ser dividido em duas partes - não só pela falta de história mas como não possui um elo dramático forte o suficiente de séries como Harry Potter; a primeira parte de Amanhecer é, apesar de ser uma obra fraca, bastante divertida pelo fato do novo diretor ter feito algo que nenhum outro diretor tentou fazer quando adaptaram Crepúsculo para as telonas, que é fazer da saga de Crepúsculo, um filme de vampiros.

Tendo dirigido filmes mais sérios como Dreamgirls - Em Busca de Um Sonho e Kinsey - Vamos Falar de Sexo; Bill Condon dá à saga Crepúsculo a direção mais madura da série até então. Grande parte dessa ajuda, também, vem de como a história de Amanhecer - Parte I é apresentada, que pela primeira vez, dá avanços de maneiras significativas. Assim, Bill Condon usa essas ferramentas a seu favor e dá uma cara bastante interessante a série que pode ser facilmente distinguida em dois enredos na própria primeira parte da história.
A primeira parte, obviamente, é o romance bobo de Crepúsculo que todo mundo conhece. A diferença aqui, é que pela primeira vez Bella Swan tem atitudes e pensamentos adultos, que visa possibilidades reais e não cai nos romances bobos que a história criou nos últimos filmes - ao contrário de Edward, que apesar de ter cento e poucos anos de idade e estar com Bella a quatro filmes, continua sendo o personagem insuportável, certinho, que acha que Bella é feita de cristal. Ainda que eles estejam prestes a se casar, Edward fica contradizendo Bella contando histórias em como ele era um assassino antigamente, e como ele tem medo de fazer sexo com ela. Algo insuportável pois ouvimos a mesma história nos últimos três filmes, e apesar de ser algo que fez Crepusculo a série que é, duvido que os fãs, agora mais velhos, ainda acham as manias de Edward "fofas". De um jeito ou de outro, Bella está muito mais adulta que Edward. Ainda que ela só tenha 18 anos, é a idade o suficiente para ela ter a consciência adulta da história em que participa e se revolta com Edward e tenta convencê-lo que sua felicidade está em seu casamento e a relação carnal dos dois. Esta insistência chega até ser divertida em certas partes do filme, onde vemos Bella se preparando para sua grande primeira noite na lua de mel, que é mostrado ao público como algo engraçado, ao mesmo tempo real e particularmente maduro.

Porém, o casamento e a lua de mel são fatores que desencadearão uma verdadeira história de terror. E quando eu digo terror, eu estou falando sério. Apesar de a trama começar a aparecer ridícula, ela é mostrada no filme de uma maneira um tanto sangrenta e violenta para uma saga que estava preocupada em esconder o brilho de seus vampiros, preservar o sexo antes do casamento e resumir a matança dos chupadores de sangue em animais da floresta. E Bill Condon usa esta história a seu favor e cria uma atmosfera que se transforma Amanhecer num filme quase de terror, cheia de referencias aos cinemas de Mario Bava e Dario Argento em certos aspectos. E que história é essa, afinal? Uma versão de o Bebe de Rosemary um tanto teen, porém, muito mais sangrenta. Uma bebe mortífero que nasce em Bella, que vai crescendo rapidamente e matando ela aos poucos. E tudo isso é mostrado através de chocantes cenas onde Bella está anorexica, com cara de morta, e chega até num episódio onde ela tem que literalmente beber sangue humano para conseguir sobreviver. Estas cenas são um tanto chocantes para uma série como Crepúsculo, que ao serem dirigidas por Bill Condom numa atmosfera quase de filmes de terror B, fazem com que Amanhecer se transforme num filme quase de horror. E tudo isso acontece devido a uma direção de arte e uma fotografia voltada, pela minha impressão, à filmes de terror B italianos dos anos 70. As cenas mais berrantes que comprovam isso é o pesadelo de Bella, onde ela vê todos seus convidados mortos, formando uma pilha sangrenta de cadavers; ou até mesmo quando Bella faz o parto - um ato violento onde ela é literalmente arrombada pelo seu bebê acompanhado por gritos e um efeito especial que transforma Bella num autêntico zoombie. Ou até mesmo os próprios créditos do filme, que são escritos à Arial Black com fundo vermelho. Por mais que você esteja lendo esses eventos e achando um tanto engraçado, tente pensar num filme que não é Crepusculo que aconteça as mesmas coisas. A sensação de horror, incrivelmente, não é muito diferente do cenário que o diretor consegue criar em Amanhecer.
Ainda sim, há muita babaquisse que interfere nesta história. Primeiramente, a história insuportável dos lobos que desde o primeiro filme arranjam uma desculpa para causar uma intriga com os Cullens, provocando cenas de ações chatas e conflitos desnecessários. Ainda que formem uma boa parte da trama do filme, ver Bella doente bebendo sangue humano para satisfazer seu bebe vampiro chega a ser muito mais interessante do que ver os lobos e seus "imprinting" - relação de paixão sublime entre duas pessoas. Não seria um absurdo dizer também, que o fato de Bella ter conseguido um bebe vampiro que a está matando, faz parte da moral que Crepúsculo sempre refletiu em Edward, que é a puritanidade. Bella insiste do começo ao fim que quer ter relações sexuais com Edward, mas o vampiro sempre fica com um pé atrás em satisfazer os desejos de Bella. Logo, pode-se dizer que há uma interpretação implícita onde a natureza mãe vem castigar Bella por ter comido a fruta do pecado. Ainda que não faça parte da lógica da história, é uma interpretação possível que apesar de não ter nada a ver com a trama, é de se enxergar - principalmente quando vem de uma escritora mórmon como Stephene Meyer - e causar uma certa impressão no expectador de que Bella está sendo castigada. Tanto que o próprio Edward fica revoltado com o bebê, e as pessoas começam a chamar o bebê de feto, "coisa" e demônio.
Felizmente, o fim de Amanhecer é bastante satisfatório. Ainda que a série não tenha mais motivos para continuar numa segunda parte, já que a última cena, para mim, chega ao nível mais avançado que a saga poderia chegar; Amanhecer conclui sua história com um grande desenvolvimento, e que apesar de ter sido vendido como um filme de romance para o público, é muito mais um filme de violência, sexo e sangue. Obviamente não chega aos pés de filmes de terror, até mesmo os de terror B; mas a tentativa de adaptação vale a pena a visita no cinema, fazendo de a primeira parte de Amanhecer o melhor filme da saga até agora.
3 comentários:
Nada contra a saga, até porque "Crepúsculo" é filme feito para os fãs dos livros, mas esse teor trash que ele possui é impagável. Eles não conseguiram transformar isso tudo em algo crível como em HP.
Bem, é algo tão "ruim" que acaba sendo bacana. Twilight tem tudo para ser o trash cult de amanhã xD
Gostei da analogia ao infortúnio da Bella ser causado por sua libido desenfreada. Concordo que houve uma diferença gritante desse filme pros outros, mas o último livro também é bem mais maduro que os anteriores. Com fãs conquistados, a preocupação dela foi passar o ponto de vista de mãe e dar uma visão mais crescida pra personagem.
ô filminho sem futuro esse ein....podre!!!
Postar um comentário