
Geralmente as pessoas vem e perguntam do que o filme se trata. No caso de Drive, é sobre um cara que dirige. A pergunta é: dirige o que? A resposta para tal questão fica tão aberta quanto a definição do personagem interpretado por Ryan Gosling. Um sujeito misterioso, meio bad-ass que presta diversos serviços envolvendo carros, mas que nunca revela uma verdadeira identidade. Tudo o que sabemos é que ele é bom com o carro. Ele participa do submundo de roubo de Los Angeles, é duble em acidentes de carros em filmes, concerta carros num mecânico e corre em corridas. Quem ele é e o que o motiva a fazer essas coisas é um mistério. Tudo o que sabemos é que quando o contratamos, ele segue um dilema de que “ele será seu por apenas cinco minutos onde você pode contar com ele para tudo dentro desses cinco minutos, caso o contrário, a pessoa está por sua conta”.
Até ai, não temos problema algum. Afinal, o filme se inicia com uma ótima sequência envolvendo o roubo de uma loja e uma fuga de carros com a policia que termina com um ótimo desfecho. O problema começa a aparecer mesmo é quando este acaba se envolvendo com sua vizinha, Irene. Interpretada por Carey Mulligan, os dois iniciam um romance fraco, vazio e sem química que começa a ter problemas com a volta do marido de Irene da prisão. Este está envolvido com pessoas perigosas que podem machucar Irene e sua filha. E sendo Ryan Gosling o personagem versátil que interpreta, ele tenta ajudar o marido de Irene, mas acaba entrando numa verdadeira enrrascada. É ai então que do meio para o filme, uma história extremamente violenta se inicia onde Ryan Gosling simplesmente vira um assassino lunático lutando pela sua sobrevivência. Algo que não seria um problema se soubéssemos direito quem é o personagem de Gosling e o que ele está sentindo. A falta de identidade acaba afetando a história quando uma hora vemos um rapaz inteligente e dócil e na outra vemos ele pisando em cima da cabeça de um cara até sua face virar um prato de sopa de sangue.

E tudo isso acontece num estilo abordado pelo diretor que não dá certo. Com uma história onde nunca parece ter tido uma identidade certa, o diretor Nicolas Winding Refn tenta fazer de Drive um filme à lá David Lynch com elementos Tarantinescos – uma fórmula interessante que provavelmente daria certo em outros filmes mas que é pobremente usada em Drive. Apesar de vemos uma Los Angeles escura e misteriosa, o diretor escolhe todas as trilhas erradas, fazendo com que a sensação de que a música com não combina com a cena seja constante no filme inteiro. Sem contar a violência que aparece de forma radical e inesperada no filme. Para um filme que era sobre um “cara que dirige”, as cenas explícitas de pessoas levando facadas na cara fica um tanto radical no filme, causando uma sensação no espectador de que não sabemos mais que tipo de filme estamos vendo. Esta sensação é provavelmente o sentimento mais forte que acompanha o expectador durante toda a projeção de Drive.
E para aqueles que não concordam comigo e dizem que eu não entendi o filme, não há nada o que não entender. Os elementos interessantes estão lá, eles só foram usados de maneiras erradas. Há cenas muito boas no filme, mas infelizmente, são breves e poucas. São elas e a ótima atuação de Ryan Gosling que conseguem salvar o filme. O resto, está mais para drive thru do que Drive... algo que se digere que nem vale a pena sair do carro para saborear direito.
0 comentários:
Postar um comentário