terça-feira, 18 de outubro de 2011

Crítica - Do Começo ao Fim

Achei interessantíssimo o fato das críticas caírem em cima do filme Do Começo ao Fim quando o longa foi lançado. Depois de toda a polêmica sobre o incesto homossexual e o belo video promocional do Youtube que virou hit na internet, muita gente caiu em cima do filme por dizer que o assunto tratado estava mal desenvolvido. O que a maioria não vê, porém, é que o assunto tratado não se importa de ser um assunto, mas um fato que é desenvolvido sem preconceitos, sem censura e sem medo de chocar. Muito pelo contrário, é uma grande história de amor cujos aqueles que procuram que o tema homossexual tenha mais liberdade no cinema, não conseguem enxergar que está é um dos melhores exemplos ja feitos.


Talvez o grande erro de distribuição e marketing ai tenha sido ter vendido o filme como um filme sobre homossexualidade e incesto. Obviamente o diretor Aluizio Abranches não escolheu tal temas apenas porque queria fazer algo diferente, mas isso não significa que tal tema tenha que ser tratado como um tabu. Aliais, é assim que o filme começa. Lindas cenas que se botam em risco por transformar a aproximação de duas crianças uma situação estranha e desconfortável. Esse sentimento, porém, não tem como não sentir, pois não se trata apenas de dois meninos, mas sim, duas crianças cheias de apelo sexual. Há tanto uma fala em particular que é extremamente desnecessária, quando um dos irmãos diz "um pintinho mais um pintinho é um pintinho e um pintão" apontando para o irmão. Mas isso é apenas o começo.

Quando um parente da família morre, anos depois, o elo sexual dos irmão finalmente parece florescer - se é que já não tinham florescido antes, mas tudo leva a entender que é a partir daquele momento que eles estão "livres". O que começa com uma cena de nudismo se torna uma seqüência sexual ousada, mas que o amor e o tema romântico conseguem falar muito mais alto do que as carnes explicitamente expostas em frente a câmera. Posso admitir que uma ou duas cenas são desnecessárias, mas não pela antipatia com a cena - caso o contrário, nem veria o filme; mas sim, por simplesmente não acrescentar nada a trama. Por outro lado, os conflitos e o romance consegue falar muito mais alto nessas cenas, fazendo com que os dois rapazes revelem uma relação extremamente bela, íntima e intensa, que cortam automaticamente os tabus que giram em torno de homossexualidade e principalmente incesto. E não porque Aluizio Abranches explora pouco. Vemos beijos e órgãos sexuais, mas a relação é infinitamente mais forte, fazendo o filme o que ele é. Até mesmo o pai, depois de todos esses anos, parece já entender a relação dos filhos. E tudo isso é reforçado no último terço do filme quando acompanhamos o conflito interno de um dos irmãos que ficou no Brasil enquanto o outro está na Russia, treinando para as olimpíadas.


O mais interessante de tudo, ainda, são os atores. Até onde eu sei, nenhum deles é homossexual e ainda eles se entregam com paixão aos seus personagens, realizando as cenas de um modo que fazem o filme ser o que é. Obviamente, tratar essas questões se tornam ridículas, principalmente no mundo do cinema e do teatro, onde a maioria se destacam com uma diversidade sexual significativa. Porém, isso não deixa de fazer com que a performance de Josão Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso não entram em destaque. É bem provável que dois atores homossexuais não teriam conseguido criar a intensidade que estes dois atores criaram.

Já Aluizio Abranches, não é preciso dizer mais nada. É responsável por criar essa bela obra com temas extremamente fortes e transportar para a tela as coisas mais importantes e belas que devem ser tiradas de tais temas. Não só isso, mas é também responsável por uma delicadeza que além de ser ousada, também consegue ser extremamente intensa. Quem aproveita bem, são aqueles que olham a obra com os respectivos olhares.

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