Você tem uns treze anos e foge para longe pois não sabe lidar com seus problemas. Lá, você encontra vários monstros que te fazem rei e brincam de pega-pega com você. Fica bonitinho num filme, né? Agora substitui os monstros por um metaleiro tatuado de cabelo cumprido que invade a sua casa, mora lá e te ameaça a te matar se você o expulsar, destrói tudo ao seu redor e te coloca em encrencas. Você veria? Conheça Hesher, um Onde Vivem os Monstros versão Hardcore, com Natalie Portman e Joseph Gordon-Levitt.

Para aqueles que estejam se perguntando o porque eu estou usando a comparação de Onde Vivem os Monstros, é porque simplesmente não tem como se lembrar de Max ao ver T.J em Hesher. O garoto possui 13 anos e não sabe lidar com a morte da mãe. E o que ele faz então? Começa simplesmente a destruir coisas. Mas não é coisas como o quarto da irmã em Onde Vivem os Monstros, estou falando de destruir casas mesmo! E é num desses eventos que aparece Hesher, um cara magrelo com tatuagens (cujos desenhos são um dedo do meio, um homem de palito se matando, o esqueleto de um macaco), cabelo e grande e obviamente nada limpo. O cara se irrita com T.J e simplesmente invade a casa do menino e o ameaça caso ele o expulse de lá. Atormentados pela morte da mãe, ninguém parece realmente se importar com a presença do maluco de cueca e tatuagens que vê pornografia e bebe cerveja o dia inteiro. E é ai então que a presença do rapaz começa a mudar a vida de cada um lá dentro.
A maneira como essa história é contada, porém, é extremamente politicamente incorreta. As vezes, chega até ser gratuita demais, mas nada que não sirva para boas risadas. Na verdade, eu até cheguei a deixar a história mais bonitinha com essa minha "sinopse", pois Hesher não se deixa passar por um garoto de "fins através de meios" em nenhum momento. Ele é um cara que não está nem ai, e pode-se dizer que a única pessoa que ele realmente acaba fazendo algo bom é para a avó de T.J. O que não deixa, porém, dele ir bêbado para uma ocasião especial da avó e falar em como ele teve uma epifania ao observar suas bolas enquanto cagava.

Apesar de tudo, a história mesmo é de T.J. Ele é o garoto que não sabe lidar com a morte da mãe e ao invés de ir a um mundo cheio de monstros ele faz de tudo para se agarrar as memórias da mãe morta ao tentar resgatar o carro em que ela morreu que foi vendido. Enquanto isso, ele é atormentado por um menino da escola, que apesar de muitas vezes se dar mal, ele também consegue atormentar bem o moleque ao pixar o carro dele ou trancar a mão do menino na janela do carro. Sem contar a estranha amizade que ele faz com Nicole, a personagem interpretada por Natalie Portman. Esta é uma coitada que parece despertar o interesse de T.J. Hesher é simplesmente o catalizador que faz as coisas acontecerem entre esses núcleos, o resultado que pode dar nisso, porém, ele não se importa. E é isso que explica ele colocando fogo em carros, invadindo casas e até mesmo atropelando o próprio T.J.
O absurdo que constitui tudo isso é tudo o que faz Hesher ser o filme que é. Sua politicagem incorreta não é um meio para se chegar a um fim satisfatório, mas sim, é simplesmente a expressão usada para lidar com o que todos ali estão passando. Lógico que o sentido de Hesher ali não existe, mas assim como os monstros no filme de Spike Jonze, Hesher é o catalizador que faz os eventos da vida de T.J chegarem a um senso, por mais que este senso seja incorreto. Essa falta de clareza talvez se deve ao fato de alguns erros no roteiro como quando Hesher se diz parecer mais forte mas é o mais fraco ao se comparar com uma cobra que ele tinha que tinha medo de ratos; ou simplesmente pelo fato de Hesher parecer querer ajudar em algumas horas e não estar nem ai em outras. Afinal, é ele que decide fazer parte da história de T.J e sua família. Ninguém o chamou ali e ele não é obrigado a estar ali. Ele simplesmente começa a fazer parte de tudo aquilo. De um jeito ou de outro, dá pra enxergar um Hesher em cada personagem, principalmente em T.J; e um T.J em Hesher. No fim, Hesher acaba sendo o vilão queridinho do filme. Ele estraga tudo ao ser redor, mas no fim, sempre faz alguma coisinha que nos faz gostar dele, por mais politicamente incorreto que seja.

Já sobre as produções tecnicas, não preciso falar muito. É um filme independente, então seu espírito, apesar de ser muito bem feito, é de um filme independente. O que fazem do filme mesmo é a fotografia e as atuações. Joseph Gordon-Levitt é o perfeito Hesher, e suas tatuagens lembram muito o vocalista do The Used, principalmente a do menino de palito estourando seus miolos. Natalie Portman parece perdida no filme, mas sendo a produtora, acredito que ela tenha gostado da história. Ver ela debaixo de óculos grandes, cabelos presos e passando produtos no caixa do supermercado, você até esquece que foi ela que incorporou o Cisne Negro e ganhou o Oscar. T.J, então, apesar de ser novo se dá muito bem tanto em ameaçar a cortar o dedo do pé de um menino quanto em chorar horrores.
Para aqueles que estavam sentindo falta de uma indicação mais underground do blog, achei que Hesher seria um bom exemplo. Apesar de ser um filme dramático, sua politicagem incorreta faz com que você solte uma gargalhada a cada cinco minutos. O que não deixa, porém, de você de emocionar em diversas partes. O que fará desse filme um drama ou uma comédia é o quanto de Hesher existe em você!
0 comentários:
Postar um comentário