domingo, 14 de agosto de 2011

Crítica - Super 8

É muito fácil ser Steven Spielberg em 2011. Depois de ter feito pelo menos uma dúzia de clássicos memoráveis do cinema, tudo o que ele precisa fazer - além de dar risada da mina de ouro que adquiriu; é se divertir no mundo em que ele tanto ajudou a construir ao ser produtor executivo de outros filmes ou séries que envolvam alienigenas ou qualquer outra loucura que ele abordou em seus filmes. Quando J.J Abrams começou a aparecer com Lost, Star Trek e Cloverfield, não demorou muito para os dois se juntarem para trazerem um dos filmes mais esperados do ano. Super 8 pode não ter muito as características de J.J Abrams, mas o filme consegue ser o que é pelas mãos de Spielberg, que criou um trabalho que apesar de não ser novo, faz de Super 8 um filme memorável por diversos motivos.


Para aqueles que vão ver o filme a procura de mais um filme sobre alienigenas, área 51 ou até mesmo mistérios intrigantes com explosões ao fundo vão se enganar fortemente. Mesmo eu, que não estava esperando que mostrasse muito disso, acabei saindo da sala percebendo o quanto Super 8 conseguia ser tão simples apesar de parecer mostrar uma trama um tanto complexa. Para aqueles que cresceram vindo Os Goonies e principalmente E.T de Spielberg, Super 8 é a nova versão desses filmes. Claro que depois destes, Super 8 não consegue ser tão marcante, mas consegue ser quase tão especial quanto.

Ao contar uma história sobre um acidente de trem que carregava um alienigena, revelando conspirações secretas do Governo dos Estados Unidos, é através da perspectiva de algumas crianças de uma cidade pacata de Ohio que o filme se passa. O filme, na verdade, é uma grande viagem ao tempo, e o fato da história se passar aproximadamente nos anos 70, faz com que qualquer um que veja o filme seja levado ao passado, quando fazíamos coisas escondidos, a escola era chata e não conseguíamos parar de pensar sobre garotas. E é neste contexto que somos introduzidos a um grupo de amigos que passam a tarde se divertindo fazendo filmes. Estes garotos, são incrivelmente bem desenvolvidos, possuindo características singulares marcantes, que assim como todo bom cliché sessão da tarde, serão importantes para resolver conflitos e situações de perigo com o passar do filme. O que não deixa de fazer com que eles sejam divertidos e ganhe a nossa simpatia. Sem contar que eles formam um elenco incrível. Joel Courtney, que interpreta o protagonista, é altamente carismático, fazendo com que você queira dar um abraço nele a cada lagrima que sai de seus olhos. Elle Fanning, então, é um monstro e simplesmente maravilhosa. Apesar de ser mais nova que sua irmã, a garota anda demonstrando ser um tanto melhor que Dakota com os últimos filmes que anda fazendo.


Mas afinal, o filme é sobre eles. O mistério que envolve o acidente de trem, uma estranha criatura que saiu de lá, os estranhos eventos que acontecem pela cidade e a invasão do exército militar são apenas pretextos para que a vida dos jovens que presenciaram ao vivo o acidente de trem mudem por completo. Aliais, o fato do filme se tratar sobre uma criatura alienigena faz até com que tal assunto fique deslocado em certos momentos no filme, pois afinal, a história não é sobre ele. Mas o que não deixa de ser extremamente necessário. Ao dar todo o catalizador para os conflitos dos personagens, uma solução teria que ser feita. Apesar de eu achar que o filme possui algumas cenas de ação um tanto desnecessárias e uma sequência final onde o alienigena aparece muito, Super 8 acaba de uma bela maneira, concluindo todos os conflitos de uma maneira maravilhosa.

Agora, se os créditos são de J.J Abrams ou de Steven Spielberg é um mistério. A influência dos dois no mesmo filme, apesar da história e direção ser de J.J Abrams, consta num equilíbrio perfeito. Talvez o filme não seria o que é sem a influência do outro, mas de um jeito ou de outro, o resultado acabou ficando ótimo. A fotografia do filme, então, não preciso nem falar. Hollywood anda se destacando muito em seus filmes em relação a fotografia. Não só em Super 8, mas como Capitão América, Contra o Tempo, X-Men: Primeira Classe, Meia Noite Paris, entre outros. Sem contar a direção de arte, que faz com que todo os anos 70-80 que o filme narra se torne real.


No fim, Super 8 acaba se tornando uma viagem ao tempo para sermos crianças. E o fato de se usar alienigenas para dar um suspense na história é um fato que moderniza o filme e o deixa mais interessante. Não é tão memorável quanto E.T, Os Goonies, entre outros. Mas o fato de trazer caracteristicas semelhantes num ano como o nosso, faz com que Super 8 seja um ótimo filme e que torna J.J Abrams o que todos dizem, como "o próximo Spielberg".

1 comentários:

Rafael W. disse...

Quero muito assistir, parece ser divertidão.

http://cinelupinha.blogspot.com/