Uma luz fosca surge no meio da tela. Vozes em off citam frases que parecem não se juntar com as outras. Uma família recebe uma triste noticia. A câmera dá focos em detalhes irrelevantes. A história parece não começar. A natureza toma conta. O espaço toma conta. O tempo. E quanto tempo! Nada faz sentido. Dinossauros aparecem. Pessoas saem da sala. Veja abaixo o que o Arte à Sétima tem a dizer sobre o filme mais esperado do ano, Árvore da Vida.

Parece até que estou falando mal do novo filme de Terrence Malick, mas na verdade, estou querendo dizer muito o contrário. Devo admitir que o diretor exagerou em alguns aspectos e abusou do tempo, mas isso não quer dizer que Árvore da Vida seja um ótimo filme. Para aqueles que também vão ver a espera de um filme certinho estilo Oscar, também estaram enganados, e seram mais um daqueles que vão sair da sala com apenas trinta minutos de duração. Árvore da Vida é um filme complexo, porém, com objetivos de entregar as mais belas e simples mensagens.
Ao contar a história da relação de um pai e filho, Terrence Malick brinca com o tempo e o espaço através de imagens hipnotizantes e uma montagem altamente frenética. Não há nenhuma linearidade no roteiro, nos apresentando uma montagem cheia de elipses e planos altamente curtíssimos, que nem ao menos chegam aos trinta segundos. O motivo disso está na própria alma da história. Uma viagem ao tempo da alma de um homem e da vida que o cerca. A vida, seu significado, a fé que ela carrega e a beleza na natureza são elementos abordados e questionados pelo próprio filho em sua fase de amadurecimento. É o menino sofrendo com as exigências do pai, é o menino tentando entender porque as pessoas morrem se Deus é um ser do bem, é o menino tentando entender a vida, etc. E enquanto isso acontece, Malick nos mostra a própria vida e sua natureza moldando o espaço através dos tempos. Grande parte desse período aparece no começo do filme, o que ficou um pouco deslocado, sendo que poderia muito bem mostrar tais imagens com o decorrer da história. As partes que aparecem dinossauros, então, são realmente desnecessárias, porém, fazem parte de uma belíssima sequência com imagens hipnotizantes.

Por mais que pareça um filme estranho, há todo um sentido do filme ser assim. Terrence Malick não quer contar uma história, mas sim, mostrar respostas nas coisas mais simples da vida. E ele faz isso ao dar foco aos mais simples detalhes o filme inteiro.São as atitudes que fazemos, o que pensamos, o que acontece conosco. É a água, a grama, as brincadeiras, os cachorros, as texturas e a forma das coisas. Vendo por esse lado o filme possui uma grande referencia de Andrei Tarkovsky ao tentar esculpir o tempo. Ao contrário deste, porém, Terrence faz um filme muito mais dinâmico e frenético. O tempo que todo esse conjunto toma, porém, é um tanto longo demais.
No fim, Terrence Milack quer dizer apenas uma coisa: ame a vida e seja feliz com os mais simples detalhes. Somos que nem a natureza. Como diz no começo do filme, há dois caminhos para vida, onde o caminho da natureza, quer apenas gradar a sí mesma, e através disso, agrada os outros. E é exatamente isso o que Árvore da Vida está abordando o tempo inteiro. Amar é o único caminho para ser feliz, se não, sua fida passará sem perceber. E essa fórmula funciona de maneira tão simples e direta que você sairá da sala com uma certa perspectiva diferente das coisas ao seu redor.
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