Depois de ter conseguido uma reputação considerávelmente positiva, Ducan Jones - filho do astro David Bowie - volta com Contra o Tempo, um filme com Jake Gyllenhaal e Michelle Monaghan cujas explosões hollywoodianas e missões militares são apenas a fachada de um filme muito mais intrigante e inteligente. Veja abaixo o que o Arte à Sétima tem a dizer.

O inicio de Contra o Tempo é exatamente o que o protagonista interpretado por Jake Gyllenhaal sente. Estamos num trem cujo o destino não sabemos, mostrando uma pessoa que não sabemos quem é, incluindo o nosso próprio protagonista. Há uma mulher a nossa frente falando de promessas e te chamando de Sean. O que está acontecendo? Onde estamos? Nem temos tempo para raciocinar que o trem explode, e o nosso protagonista aparece então dentro de uma cápsula falando com uma mulher que diz que ele está em um programa do governo realizando uma missão. Que programa é esse? O Código Fonte. Sua função? Entrar nos últimos oito minutos na mente de uma pessoa que já morreu. A missão? Descobrir como essa pessoa morreu. E é ai que se inicia a trama de Contra o Tempo. O único problema é que Colter, nosso protagonista, também não sabe como ele chegou lá.
Dentro diversos filmes de missões secretas do governo e explosões hollywoodianas, Ducan Jones, assim como Lunar, nos preparou um filme cujos problemas psicológicos falam muito mais alto do que um simples filme de ação e ficção-ciêntifica. Sendo um soldado do Afeganistão, Colter não se lembra de ter sido solicitado para tal missão, exigindo respostas de seus comandantes. Porém, a pressa da missão ser concluída é tão precisa, que Colter não recebe nenhuma resposta, sendo obrigado a obter alguma resposta dentro do código fonte. Mas como buscar seu paradeiro dentro de uma realidade que não é real onde em dentro de oito minutos, ela acabará? Vendo por esse lado, Contra o Tempo é muito mais um filme sobre a identidade do personagem do que a própria missão que ele é designado a fazer. Afinal, todos os laços emocionais estão lá. É a mulher simpática que está falando com ele no trem, que o parece seguir durante toda a projeção do código fonte; é o fato de Colter não saber o que aconteceu com ele e não deixarem ele parar a missão; é o fato dele querer falar com o pai, já que ele está nos EUA e não mais no Afeganistão; é a mulher que está controlando a missão; entre outros.

Juntando todos esses aspectos, apesar de ser um filme curto, Contra o Tempo se torna um envolvente thriller de ação e ficção ciêntifica pelo fato de todas as informações serem absorvidas por nós junto com os personagens. E isso faz com que as respostas dos acontecimentos sejam mais impactantes - principalmente porque elas são definitivamente chocantes! Não direi muito aqui para não estragar surpresas do filme, mas Contra o Tempo consegue ser extremamente criativo em como o programa do Código Fonte funciona, que está totalmente ligado na condição em que o nosso protagonista se encontra; algo que vamos descobrindo com o passar do filme. Outras características que fazem o filme ser extremamente envolvente e ágil, é o fato de nós estarmos procurando tanto o paradeiro da pessoa que explodiu o trem, quanto o de nosso protagonista, nos jogando assim, no código fonte, uma realidade que se repete diversas vezes mas se altera devido aos acontecimentos que o nosso protagonista proporciona. O elo emocional que Colter cria com a realidade do código fonte, também, é forte o suficiente para dar empurro a toda a história, nos levando para uma conclusão dramática, bela, que apesar de ser hollywoodiana, é apresentada sem absurdos e relevantes.
Obviamente, todo o crédito aqui seria do roteiro de Ben Ripley, mas é o Ducan Jones que leva os elogios. Afinal, é um ótimo filme, que vai muito além de apenas um filme de ação. Jake Gyllenhaal pode ser o novo galã de hollywood, mas este trabalho não o tira do sério, assim como outros papeis que já fez em Entre Irmãos, Zodiaco e O Segredo de Brokeback Mountain. Como diz o filme, o que você faria se tivesse mais alguns minutos de vida? Eu veria Contra o Tempo, pois é um filme cuja resposta é inteligente e intrigante.
2 comentários:
Fiquei animado para conferir o/
Concordo. O filme é mesmo ótimo, eu nem esperava tanto. Gostei muito daquele quase final... É o tempo suficiente para que surjam várias questões em nossa mente, então, surge um pouco mais de filme que introduz uma questão ótima que vai alterar a narrativa.
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