Quem poderia ter imaginado à cinco anos atrás que o bafafá da nova geração estaria ligada a tão desgastada e mal tocada mitologia vampiresca, que com o passar do tempo foi perdendo cada vez mais o seu sentido no mercado com suas tão mal interpretadas adaptações. Talvez o sentido tenha até se perdido mais ainda quando lançaram Crepúsculo, mas sem querer discutir os pós e contras desta tão polêmica saga, temos que admitir que foi ele o grande catalisador para que todos quererem voltar a falar sobre mortos que chupam sangue. A verdade era que, de repente, vampiros eram o que vendiam e tudo o que gera lucro, os produtores gostam e logo, a saga Crepúsculo não era a única coisa que estava sendo adaptada para a televisão. Quando a moda pegou, não demorou muito para o roteirista de Six Feet Under e Beleza Americana, Alan Hall, tocar na enorme coleção de Charlaine Harris, Southern Vampires (ou The Sookie Stackhouse Novels) para trazer a melhor adaptação de vampiros para os dias atuais existente, True Blod.

Produzida pelo HBO, True Blood trouxe vida à coleção de Sookie Stackhouse, uma telepata de vinte e poucos anos que acaba de se conformar junto com o mundo a existência de vampiros no mundo. E isso aconteceu devido a invenção de True Blood, um sangue sintético criado pelos japoneses que faz o uso de humanos como alimentação para vampiros desnecessária. Vivendo em Bom Tomps, Louisiana, Sookie trabalha como garçonete no Merlotte’s e ainda guarda sua virgindade para ser entregue a alguém especial, já que devido ao dom de ouvir o pensamento das pessoas, só consegue enxergar o lado ruim de todos a sua volta. Mas quando o vampiro Bill Compton aparece na cidade a seduzindo e chamando a atenção pela sua impermeabilidade de ter os pensamentos ouvidos, Sookie e Bill começam um relacionamento que faz Sookie descobrir um novo mundo a sua volta muito mais perigoso e sinistro do que ela conhecia antes.

Com quarenta minutos de duração e doze episódios por temporada, True Blood chamou atenção pela sua ousadia e criatividade em relação a mitologia vampiresca que acabou resultando em três temporadas, com uma quarta já confirmada. Crescendo a cada dia que passa, a razão pelo sucesso desta tão inovadora série não é porque ela tenta ser romântica ou gótica demais, mas simplesmente pelo fato de enxergar a visão de um vampiro adaptada para o século XXI. Os vampiros de True Blood querem sexo, e é sexo que você vê na série. Os humanos querem ter relações com vampiros pois o sexo é melhor, ou simplesmente querem um pouco de V, também conhecido como Suco de Vampiro – sim, sangue de vampiro dá barato em True Blood. E todo o sexo, drogas, homossexualidade, satanismo e outras coisas bizarras são apresentados explicitamente num cenário do misterioso do interior de Lousiana, com pessoas caipiras e supersticiosas. Não há romance bobo ou vampiros que tentam parecer vampiros... apenas um monte de gente fazendo sexo, bebendo sangue e lutando contra demônios e outros vampiros.

Alan Ball extraiu o melhor da coleção de Charlaine Harris para criar um mundo místico, assustador e sexy. Apesar de ser inspirada nos novels da autora, Alan Ball criou mais e ousou mais ao colocar as histórias de mais personagens que participam da vida de Sookie e que acabam se envolvendo com vampiros, lobisomens, demônios, bruxaria e até mesmo pessoas que se transformam em animais ao longo das temporadas. Não há restrições para True Blood, e tudo o que você sempre quis ver numa série (drogas, sexo, sangue, morte, romance, drama, comédia) se juntam de uma maneira altamente eletrizante e equilibrada, que fazem de True Blood uma das melhores séries atuais.
Após duas temporadas com a apresentação de vampiros, pessoas que se transformam em animais e demônios que necessitam de pessoas fazendo sexo para se ressuscitarem e trazer criaturas antigas para a terra; True Blood chega a sua terceira temporada com diversas bombas, abrindo portas para diversas coisas que podem acontecer eventualmente em novas temporadas. Há aparições de lobisomens, pessoas que se transformam em panteras e até mesmo fadas. Pode até parecer meio idiota falar esse tipo de coisa, mas True Blood as vezes zoa até com ele mesmo em seu roteiro, fazendo com que os absurdos e até mesmo as cenas sérias não sejam levadas a sério, fazem desta série uma coisa engraçada, porém, que é simplesmente sexy de se ver. E é exatamente isso o que dá combustível ao True Blood, e é isso o que faz a terceira temporada a melhor temporada até agora. Afinal, é exatamente o que Alan Ball diz: “o combustível de True Blood não é nem os vampiros em si, mas a variedade de outras criaturas que fazem parte deste mundo místico e misterioso”.

Alan Ball sabe diferenciar uma série de um livro - e acredite, eu li o livro da terceira temporada de True Blood e as coisas são totalmente diferentes (apesar dos acontecimentos serem quase os mesmos). E a terceira temporada prova exatamente o que Alan Ball sabe fazer de melhor: escrever. Os acontecimentos são marcantes, e para quem acompanhou toda a série até agora, coisas bombásticas envolvendo personagens antigos acontecem. Percebemos claramente que o mundo que Sookie vive agora não é mais o mesmo, ao contrário das outras temporadas, que abordavam um problema e solucionavam ao seu fim. Desta vez, Sookie sabe todas as verdades sobre o mundo dos vampiros e sabe que não é um "ser humano" normal e se vê encrencada com os problemas de seus amigos e familiares que parecem ser tão estranhos e perigosos quanto o dela. Na terceira temporada, Alan Ball abriu todas as portas possíveis em doze episódios para que fosse possível acontecer qualquer coisa nas próximas temporadas, revelando tudo o que se podia revelar do mundo de True Blood. Ou quase... segundo boatos, bruxas ainda vão aparecer na quarta temporada, fazendo com que esperamos mais ainda deste mundo sexy e misterioso.

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